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Minha história de Pré-Eclâmpsia (Parte IV)

…No dia em que saí da UTI e fui para o quarto as coisas começaram a melhorar. Ainda assim eu estava bem deprimida e agoniada, querendo ir para casa, ter minha vida de volta e principalmente, ver a minha filhinha.

O Lincoln me levou logo no dia em que fui pro quarto na UTI Neo para ver a Rebeca. As enfermeiras não queriam me deixar entrar porque após deixar a UTI eu ainda não tinha tomado um banho, mas eu pude entrar rapidinho e espiá-la da cadeira de rodas. Ela estava com 880 gramas, pois apesar de nascer com 1,15kg havia perdido um pouco de peso (o que é normal nas primeiras 48 horas), estava entubada e era muito frágil. Chorei copiosamente. Eu sentia uma culpa imensa, como se ela estar passando por essas dificuldades fosse de alguma forma minha culpa por eu não tê-la protegido na minha barriga até uma data melhor para nascer, quando estaria mais preparada para a vida aqui fora. O pezinho da Rebeca era do tamanho da ponta do meu polegar.

Depois de voltar para o quarto decidi começar a me erguer de novo. O primeiro banho foi na cadeira com a ajuda do marido, daí em diante eu levantava e tomava sozinha, devagar, mas conseguia: tinha de forçar ou nunca sairia dali. No segundo dia, inundei o quarto. Pedi a minha cunhada para levar um secador de cabelos e me ajudar a lavar, ela e uma tia lavaram meu cabelo na pia do banheiro e quando notamos a água já saía para o corredor do hospital. Nem preciso dizer que a moça da limpeza resmungou horrores, mas só de ver que aquele cabelo ainda tinha jeito me senti um milhão de vezes melhor. Eu nem sequer conseguia escovar, nem lavar sozinha conseguiria da forma como estava. Não entrava água, nem dedos e muito menos um pente. Mas depois da lavagem e escovinha, estava novinho em folha.

Passei a ir visitar a Rebeca todos os dias, ficava ali uma horinha olhando para ela e vendo cada passinho lento, mas fundamental que ela dava. Tive alta do hospital e fiquei radiante de alegria por poder dormir com o marido de novo. Eu tinha ficado tão sozinha, literalmente, que eu sentia muita falta de dormir ao lado dele. As noites não dormidas. O medo de morrer. O sentimento de culpa… tudo foi ficando para trás quando fui para casa.

Aos poucos a Rebeca ia evoluindo. Do tubo foi para o CPAP, logo estava no capuz de oxigênio, cateter e ar respirando sozinha. Parecia que tudo ia se resolver rapidamente. Ela começou a mamar 1 ml, depois 2 e assim por diante. Eu tentava ordenhar o leite para ela, mas não tive leite materno. Tomei Motilium, água de côco, comi canjica enfim, tudo o que me disseram, mas assim como todas as mulheres da minha família, não tive e não tenho leite. É a nossa genética, infelizmente. Mas ainda bem que ela se adaptou bem a formula que eles dão nestes casos (NAN) e conseguiu se alimentar sem o leite materno.

Quando ela estava tomando 6 mls de leite chegamos para a visita e as enfermeiras pediram para que eu e o Lincoln esperássemos na salinha ao lado da Neo, pois, estavam colhendo alguns “exames” da Rebeca. Eu perguntei se ela estava bem e a enfermeira me disse apenas que “o médico viria conversar comigo”.  O desespero tomou conta de mim totalmente, comecei a chorar pois sabia que algo estava errado. E aqueles minutos de espera pelo doutor foram intermináveis e me derrubaram, mais uma vez.

Quando ela nos autorizou a entrar eu levei um choque. A bebê estava novamente entubada. O médico disse que ela estava com pneumonia, o leite havia sido suspenso até que ela pudesse se alimentar de novo, já estava tomando antibióticos e tudo o que lhes caberia fazer já estava sendo feito. Tínhamos que esperar.

Voltei para casa aquele dia eram umas 16h00. Caí na cama e ali fiquei até o dia seguinte no mesmo horário de visitas. Minhas forças estavam minadas, eu só conseguia chorar. Não queria falar com ninguém, não queria ver ninguém. Não queria que me perguntassem como ela estava. Era como se eu não quisesse acreditar que aquilo estava acontecendo. Não agora, depois de tudo pelo que havia passado. Não era justo…

(Continua)

4 comentários em “Minha história de Pré-Eclâmpsia (Parte IV)

  1. Oi Vany, tô acompanhando tudo desde o comecinho…rezando e torcendo pra que tudo fique bem o mais rápido possível….seu relato é emocionante e agora fiquei agoniada pra saber se sua filhota está bem. Aguardo notícias.

    bjs

  2. Nossa Vany confesso que chorei e fiquei com o coração tão apertadinho pensando em vcs duas…muita força viu? vai dar tudo certo, vou orar por vcs!!!
    bjs

  3. Vany, que montanha russa!
    orando sempre por vcs!
    bjs

  4. O minha flor… no começo fiquei tão feliz pela sua força e determinação, mas então o fim me cortou o coração. Nem sei mais o que dizer, só desejaria mesmo que vc não tivesse passado por isso.

Deixe seu comentário sobre o post!! Bjs!

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